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Tô é sofreni com essa crise dos inferno.

Minha vontade mesmo é de fazer as malas, não por ódio ou por desgosto, procurar oportunidades em outro canto, virar mais uma retirante nordestina em algum lugar que finalmente abra uma porta digna para mim. Meu caso é de tédio e desapontamento. Sempre comentei aqui o quanto achava que a vida seria diferente, teve épocas que me apeguei tanto ao imaginado que quase permiti me perder de mim.
Quero construir algo novo, desbravar ambientes que nem se quer imaginei antes, não preciso do facão, nem das roupas, mas preciso da mata e da direção.

Por mais que lute contra, cada dia encarando a parede e fritando na cama, me puxa ao marco zero desse conflito, e me torno cada dia mais a mulher sentada na árvore, encarando os figos.
Vi essa história na season finale do Master of none, mas gostaria de ter lido em um livro. É um conto que fala de uma jovem mulher sentada em uma árvore cheia de galhos, onde de cada um deles saia um figo e cada figo tinha nele uma possibilidade. Casar, periquetar, viajar e etc. Ela queria tudo, mas não queria nada e assim a mulher permaneceu sentada contemplando as possibilidades e acabou assistindo a cada um dos figos morrerem junto com o tempo.

Queria mesmo tomar uma atitude e escolher meu figo, mas é como se tivesse sido paralisada, talvez seja medo ou incapacidade, simplesmente não consigo. A vida não é como nos filmes, se minha vida tem várias possibilidades, dessas não conheço tantas. A medida que vamos envelhecendo os figos vão caindo do pé, e se você for pobre caem 3 de vez a cada desilusão.

Estou ciente que esse é o mundo real e pra quem não tem grana, o mundo real tem verdadeiros espinhos, pra quem não sabe o que quer esses espinhos se tornam adagas mortais que fatiam os nossos sonhos e desejos inteirinhos. Ai nossa! Quantooo dramaa! Veja bem querido leitor imaginário, NÃO ME JULGUE e deseje sorte pra esse free spirit atormentado e desempregado que aqui vus fala.

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