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Charles Bukowski, o herói dos idiotas.


É bem comum ver pessoas postando frases e idolatrando um cara que talvez não merecesse toda essa santificação e que não sou escrota o suficiente para dizer que nunca compartilhei desse fascínio ou que nunca dei share em uma das frases impactantes dele. Afinal de contas, ele era um gênio ousado que não se importou com a opinião dos outros. Não é isso o que todo mundo quer ser?
Bem...diferente da maioria que se contenta em ler somente alguns poemas e quotes, a minha atitude foi admirar, procurar saber mais sobre e pegar livros para ler. Óbvio que ler 3 livros do cara não me faz uma especialista, mas me dá muito mais conhecimento que grande parte da galera que jura devoção a um homem que só conhece de nome. Por isso costumo dizer que existem 3 tipo de idiotas apaixonados pelo Charles.
  1.    Que conhece só a fama de velho tarado e compartilha as frases porque acha que parece cult, profundo ou descolado.
  2.    O que leu e se identificou por razões que podem ser complexas demais para esse texto.
  3.     Os que leram somente poesias soltas ou obras menos significativas e não entraram em contato com informações extras que fazem as histórias se encaixarem.

Mas têm aqueles (não idiotas) que amam o escritor puramente pela obra e seu valor literário disruptivo que faz o leitor se confrontar com escatologias, violências e o perfeito perfil do anti-herói que contrapõe todo o sonho americano. O amam por sua escrita “atropelada” e direta que segue a levada do movimento Beatnik que revolucionou lindamente a forma de fazer literatura durante os anos 50/60.

Mas Jés, por que você odeia tanto esse cara?

Primeiramente é bom dizer que eu não o odeio, acho um ótimo escritor (li 3 livros, estou com o 4 na mão e pretendo ler ao menos 5 obras). Diferente do que a maioria das pessoas pensa, enxergo a história dele como uma vida repleta de tristeza, falta de amor, desilusão e solidão. O meu problema não é com ele e sim com as pessoas que se agarram a ele como uma espécie de amuleto inspirador.
Para ficar mais didática, vou citar 2 motivos pelo qual ele era um cara que não faz sentido ser adorado como um grande guru do lifestyle de ninguém e 1 motivo para ser querido como um escritor incrível que realmente foi.

  1-    Que ele era mulherengo machista, todo mundo sabe. Mas tem mais.

A relação deles com as mulheres não tinha nada de saudável, ser mulherengo não é um problema desde que as mulheres envolvidas saibam que são somente transas. O meu caso aqui não é de pudor e vou contar algumas passagens que me deixaram bem desconfortável.
No primeiro livro ele relata o tempo em que trabalhava como carteiro. O nome do livro é Cartas na Rua e no geral é bem legal e não foge do estilo que perdurou até a sua penúltima obra.  Durante o livro ele sempre fala sobre uma casa que ficava na rota de entregas dele, nessa casa morava uma deficiente já madura que vivia presa e costumava gritar quando ele passava. Gritava coisas sem noção, ela tinha problemas mentais e mexia com ele porque era a única pessoa passando na rua, imagino quanto tempo ela ficava sem falar com ninguém, só trancada ali e ansiosa para ver outras pessoas.
Pois bem, na cabeça já madura do Charles ela estava “enchendo o saco” e merecia uma lição. Um dia ele foi lá, estuprou-a e relatou o silêncio dela como uma espécie de consentimento quando a maioria de nós tem plena ciência que a reação corporal mais comum diante de um estupro é “abandonar o corpo”. Depois disso ele se gaba que nunca mais ela gritou quando ele passava.
Já sendo um escritor famoso no livro intitulado Mulheres ele faz um compilado de histórias de mulheres com as quais se relacionou e entre mil passagens no mínimo nojentas, mas que podem ser consideradas ao menos normais, levando em consideração o estilo de vida que ele costumava levar. Ele conta sobre uma garota que levou para casa e que desmaiou no sofá dele. Na cabeça de Charles se ela foi até lá fumar da maconha dele e beber do álcool dele, ela estava devendo o sexo que ele esperava e mesmo com ela apagada ele transou com ela. (leia-se: estuprou) Gostaria de dizer que essa foi a única vez que ele se aproveitou de uma mulher desacordada e relatou  como um ato normal ou exercício de direito. Mas não foi.
Aqui só relatei (alguns) casos de estupro, mas a forma que ele via as mulheres era extremamente degradante em alguns pontos do livro.
Se erguer a bandeira do feminismo para você significa que continuar consumindo materiais de gente que incentiva a misoginia e corrobora com práticas machistas, compartilhar frases dele é no mínimo contraditório.

  2-    Ele não se achava "foda", porque ele não era mesmo. (Mas o que é ser foda?)

O Charles achava que todo mundo era idiota. Era uma pessoa entediada que não gostava de praticamente ninguém e quando sentia que poderia estar gostando um pouco que seja, sentia tanto medo que fugia como se não houvesse amanhã.  Gostava de dizer que estava indo aos lugares somente pelo sexo, mas em vários momentos deixava claro o incomodo que sentia em estar sozinho com ele mesmo. Vivia bêbado por não ser capaz de suportar a vida se estivesse sóbrio e via o seu comportamento autodestrutivo com a indiferença de quem não se importava em morrer no dia seguinte. Não haveria nada para perder e ninguém para deixar para trás. Tanto fazia.
Ele era viciado em corrida de cavalos, fora o sexo, as apostas era a única coisa que conseguia fazer com que se sentisse um pouco mais vivo e era com isso e drogas que torrava todo o dinheiro que recebia das editoras.
Resumindo.  Uma pessoa cronicamente deslocada que não conseguia se conectar com ninguém, que não tinha força e nem vontade de encarar a vida com sobriedade ou responsabilidade e que sofreu até os últimos dias pela morte da única mulher que considera já ter amado verdadeiramente na vida.
Eu não sei você, mas para mim isso parece uma vida bem triste. A não ser que nos outros livros tenha havido alguma virada brusca de comportamento...isso, e um escritor formidável é tudo que eu tenho.

11 -    Ele fez do Henry Chinaski o que o Charles nunca conseguiu ser.

Através da sua escrita direta e extremamente sincera ele conseguiu trazer para dentro do seu universo sombrio e conturbado milhares de pessoas. A falta de conexão que relatei no tópico anterior foi driblada pela escrita e pela coragem de dizer sem o mínimo de pudor aquilo que ele era sem se importar se haveria criticas ou aplausos. Na verdade foi esse estilo “to nem aí” que redeu para ele a fama que até após a sua morte é louvada.
Se todos os casos contados nos livros aconteceram de verdade ou se foram somente licença poética é impossível saber (mas pelo que ele dizia, parecia verdade) e sendo assim, é praticamente impossível julgá-lo como um ser humano detestável. Por mais que sejamos capazes de imaginar coisas bizarras, só podemos ser condenados por atos realizados de fato (a pornografia deixa essa transcendência bem clara). 
Esse texto pode estar um tanto confuso quanto os meus sentimentos em relação ao autor, porque é exatamente assim que me sinto. Fico oscilando entre a repulsa e a admiração, mas o que realmente quero deixar bem claro, é a minha desconfiança sob essa massa de pessoas com prazeres escatológicos que se lambuzam na degradação dos outros. O público vibra com sofredores, com pessoas que se desfazem aos pedaços diante dos olhos dele enquanto suplicam por ajuda e recebem flashes das fotografias de todo o sangue e lágrimas que jorram copiosamente de seus corpos,  veem seus fragmentos sendo louvados como suvenires e palmas que apoiam a sua caminhada para um fim trágico somente para depois esse mesmo público fingir surpresa quando o fim chega.
Nós surramos e crucificamos pessoas para que possamos fazer delas nossos santos.
Um exemplo? Dou dois!  Temos a Amy Whinehouse e a  Miley quando estava claramente na merda e “todo mundo” ficou triste quando ela voltou para o eixo.

Eu queria muito que as pessoas parassem de romantizar a auto-degradação e a desestabilidade psicológica dos outros, mas se esse hábito acabasse o que sobraria? Ainda haveria algo que pudesse ser chamado de arte?

Sobre mentiras e manipulações

1 - Vejo idiotas em todos os lugares e a primeira está no meu espelho.

Se somente atraímos aquilo que somos, então essa é a única dedução que me sobra. Mentirosos, arrogantes, vaidosos têm me cercado com frequência e eu que me sinto tão esperta, deixo-me levar pela conversa de pessoas que não são melhores ou mais relevantes que pedras no caminho.
Por vezes sinto que sou uma versão barata do Sansão com milhares de Dalilas aparecendo sem nenhum romance ou encantamento. A grande diferença é que o Sansão tinha plena noção da sua predestinação, e eu, tudo que sei é que não quero acabar como aquela que merecia todo amor do mundo e só recebeu dor de quem mais deveria confiar.



2 – Elogios são como faróis

Todo mundo adora reconhecimento e elogios ocasionais, mas quando uma pessoa te chama de inteligente veementemente ou faz elogios com muita frequência é bom começar a observar o que ela realmente deseja dizer. Não estou falando somente de homens e sim de humanos, lógico que no caso do sexo masculino temos alguns agravantes, mas para elogios tão intensos e recorrentes vindo de SERES HUMANOS identifico três motivações principais:

Ø  Acha mesmo e admira isso:
 Neste caso o elogio é só uma expressão ingênua daquilo que a pessoa sente e não tem vergonha alguma de reconhecer.

Ø  Reconhece e tem inveja disso:
Tem pessoas que acreditam em inveja boa (Ou branca), eu pessoalmente não. Muita gente olha para você e reconhece coisas que elas gostariam de ter ou ser. As atitudes que terão diante desse sentimento podem variar de uma trapaça para te desqualificar e nivelar a elas por baixo, ou somente comprar livros e começar a estudar buscando a melhora pessoal sentindo-se motivado por sua existência.
É sempre bom tomar cuidado e ficar atento aos desdobramentos.

Ø  Acredita estar te fazendo de otária e sendo muito mais esperto que você.
Elogios persistentes são como o farol do Batman. Se começarem a surgir com muita frequência é sinal que deve ficar ligadíssima na movimentação da outra pessoa. Se questione:
Por que ela está massageando o seu ego?
O que ela ganha baixando a sua guarda?
Você está deixando alguma coisa importante passar? Cheque tudo que está fazendo!
Esse mês foi glorioso e já posso até pedir música no Fantástico!
Triplo score no “acredita estar te fazendo de otária”, mas agora enquanto escrevo esse texto não consigo nem ficar chateada. Sempre tive muita sorte e Deus sempre me tornou muito atenta para as pegadas no caminho.

3 – A maldade está nos olhos de quem vê.


Esse post transparece uma percepção muito pessimista das relações, coisa que realmente tenho. A nossa sociedade costuma culpar quem enxerga previamente comportamentos nocivos e são capazes de se antecipar as merdas que podem acontecer pelo caminho. Essa ideia de que você só é capaz de enxergar o mal que consegue causar é no mínimo ingênua e mil vezes pior é a premissa que te obriga a negar o que está evidente aos seus olhos somente para se manter “positiva” diante das coisas.
Veja bem, você sabe como fazer uma inseminação artificial (exemplo aleatório) e nunca precisou estar envolvida em uma para entender como funciona. A mente humana é exatamente do mesmo modo. Temos alguns vícios e falhas tão milenares que mesmo não os tendo contigo, ficando atenta, será capaz de identificá-los facilmente.

4 – Seja inteligente de verdade e saiba disso.


Você pode estar se perguntando de onde tirei todas essas teorias conspiratórias que fazem de mim uma idiota capaz de reconhecer outros idiotas. Bem... Das observações do dia a dia, das reflexões pós-rasteiras e por incrível que pareça, também aprendi muito com livros de auto-ajuda.
Para finalizar esse texto, indicarei um dos meus livros favoritos escrito por um grandessíssimo filha da puta que doou o seu conhecimento e análises sobre outros filhas da puta através de uma obra milenar chamada O Príncipe. Muito se engana quem acredita que só porque esse livro foi escrito na Idade Média ele não possui muito a oferecer. O mundo mudou, as dinâmicas sociais também, mas em sua essência o ser humano continua com as mesmas características básicas que fluem da porção animal que teimamos em renegar.
Outro bom livro e tão assustador quanto a real natureza das relações humanas é o 48 leis do poder, muito mais atual, ele coloca as cobras no seu dia a dia e ensina a como identificar e, se quiser, a ser como elas.

5 – Você não precisa se machucar.


 Apesar de todo esse discurso não sou um monstro que pretende se isolar em um castelo e grande prova disso é que ainda consigo manter relações até o ponto de vê-las desmoronar. A minha maior vantagem é ser capaz de não estar em meio aos escombros e não sentir a dor natural que as quebras de pontes trazem. Você torna-se preparado para a dor e escolhe correr riscos conscientes, entende as possíveis consequências e se fortalece sabendo o tamanho da queda.
O saber sempre vai te tornar mais forte e suavizar as dores.

6- Dica bônus.

Mentir, trair a confiança ou ser ruim com outras pessoas são alertas de prioridade máxima. O que o impede de fazer com você algo que já fez antes seja lá por qual razão?  Não somos ninguém para julgar, ótimo, essa é uma bela visão cristã da vida, mas deixar o peito aberto para ser esfaqueado a qualquer momento é no mínimo uma escolha idiota.
Sejamos então pessoas sociais e razoáveis, que oportunidades sejam dadas e o benefício da dúvida seja concedido sempre que perceber ser possível não se machucar com as consequências negativas provenientes desse ato benevolente. Caso contrário....IDIOTA!

Nos Gifs é o Cesare Bórgia na série The Bórgias. Ele foi um dos principais FDPs que inspiraram pensamentos no livro O príncipe. 

"Louca, louquinha! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são."


Não lembro se já falei sobre o Jack Kerouac por aqui, mas ele é um dos meus escritores favoritos. Foi ele quem disse:
[...]the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes"

Jack Kerouac, On the Road
Não foi um personagem, foi ele mesmo. Os livros são como diários onde ele divide as aventuras dele e de uma geração de escritores chamada Beatnik. A principal característica é a escrita livre, seguindo a fluidez da fala e sempre tem ligação com um estilo de vida mais...ousado? Tô falando de alto consumo de drogas, homossexualidade, crenças nada ortodoxas e tudo mais que fazia a sociedade tremer nos anos 50.
Para os Beatniks escrever signicava viver, você precisava ter experiências para que pudesse compartilhar com legitimidade e naturalidade tudo aquilo que sentiu e viu. Por isso uma vida normal com esposa e filho, nunca seria o suficiente para nenhum deles.
Me identifico muito com o autor e sob tudo aprendi muitíssimo com a trilha que ele seguiu. Entendi que esse encanto que sentimos pode ser destrutivo e que determinar limites claros sob quem eles são e quem nós somos, é imprescindível!
O Jack não era tão louco como os outros, mas se sentia hipnotizado com a ousadia, ímpeto e coragem dos que lhe rodeiava, eles tinham tudo aquilo que ele não tinha e isso o fascinava de uma forma que sempre parece que ele estava meio apaixonado. Em Vagabundos iluminados, quase acreditei que ele seria gay, mas como não li todos os livros ainda, pode ser que esse momento tenha chegado e eu não vi 🤔
Em cada livro a gente conhece novas pessoas e é possível perceber a tendência que ele tinha em virar satélite de cada uma delas, de certa forma, mesmo ele sendo o protagonista, as decisões e pensamentos acabam sendo orientados em função de alguém ou grupo que se tornava o sol e ele se colocava como lua.
Essa tendência que no começo o fazia ser mais observador e moderado, cresce de tal forma que o absorve pouco a pouco e o leva de forma irremediável para bad trip que podemos ver em Tristessa, esse fundo do poço se mostra bem pior que o esperado, veja só, heroína com uma prostituta drogadíssima e um traficante desmaiado em uma cabana imunda no México? Não tinha necessidade!  Você não imagina o ódio que senti lendo esse livro.
Vai piorando até que ele morre sozinho em uma casa de campo depois de escrever Blur, um livro que evito loucamente por ter fama de ser deplorável devido as condições que ele se encontrava.😞
Engraçado que um dos meus livros favoritos também fala de alguém que se perdeu por influência de terceiros. O retrato de Dorian Gray, já leu? O papo é longo, mas diferente do Jake o que seduziu o Dorian para o Darkside, foi muito mais um livro que uma pessoa, na verdade, o discípulo superou e muito o seu criador que ao invés de ser Mad, entendeu errado e virou Bad.😵
Se for mesmo verdade que somos a média das 5 pessoas com quem mais convivemos, será que não valia ter um pouco mais de cuidado com essa escolha? 
Mas moral da história: Cuidado com o brilho dessas pessoas e não seja Maria vai com as outras. 😉

Título é quote de Alice no país das maravilhas.

Livro da semana: 10 Livros Que Estragaram o Mundo (FIQUEM DE OLHO!)

É um livro bem popular entre reacionários, mas que vale sim a pena ser lido. 

Nenhuma história tem só um lado, nada nesse mundo é tão simples como parece e desqualificar o discurso do outro sem ao menos conhece-lo de verdade é tudo que a elite manipuladora (seja lá quem ela for) quer de você. 
Inclusive, fico bem triste ao pensar nas falhas que tive em minha formação onde muitas (todas as vezes) fui induzida a concorda com tudo que me era apresentado em sala de aula e caso discordasse, recebia algo como " é assim e pronto", quando na verdade o minimo que eu esperava era ter acesso as versões existentes e ter o direito de escolher com quais delas concordaria.

O professor é uma pessoa que tem a nossa confiança e com a qual ficamos vulneráveis em acreditar em tudo que nos dizem principalmente na escola, onde ele com o livro didático são os responsáveis por formar o jeito de pensar de alguém que nem se quer sabe exatamente como fazer isso. É agir de má fé dar ao seu aluno somente a verdade que acredita ser real, mas o que temos também que entender é que se trata de um ciclo vicioso, onde as pessoas evitam ter acesso aos contrários ou que se acostumam a ler ou entrar em contato somente com os que lhe são uníssonos. Para mim foi tudo ainda pior, simplesmente porque o meu professor de história era também o de filosofia e de sociologia.
Estou engatinhando e pela primeira vez sou a única responsável por conduzir os meus próprios estudos e formação de conhecimento. Isso é apavorante e a cada minuto que passa sinto mais um pouquinho do meu mundo cair diante de possibilidades que nunca pensei antes existir.
E aí entra esse livro.

10 Livros Que Estragaram o Mundo – e Outros Cinco Que Não Ajudaram Em Nada, de Benjamin Wiker


O Wiker é teísta e lógico que o ponto de vista dele em criticar Descartes, Hobbes, Marx e outros tantos, vai levar sim a moral e a formação dele em consideração, mas nem por isso o discurso se torna autoritário, fanático ou sem sentido. Estou quase no fim do livro e ele nunca trouxe nem se quer uma citação bíblica para justificar o ponto dele que quase sempre segue um caminho conservador e deixa respingar ideologias cristãs. Bem...sou cristã e isso não me incomodou, mas se isso te incomoda muitoo, ainda assim recomendo o livro. Assim você pode odiar o Wiker e amar ainda mais os seus filósofos, mas tendo ciência dos possíveis pontos negativos das teorias deles.

No geral esse livro lhe faz ter consciência do poder de uma ideia e de quão venenosa ou construtiva ele pode ser (falando nisso indico um filme chamado A onda), além de mostrar o quanto somos influenciados e temos nossos pensamentos moldados por pressupostos que talvez a gente nem se quer concorde, mas não temos uma noção real de toda essa interferência na construção do ser e dos ruídos que carregamos em nossos discursos cotidianos. 


Os 10 grandes estragos trazidos são esses:

Capítulo 5 - Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels
(1848)
Capítulo 6 - Utilitarismo, de John Stuart Mill (1863)
Capítulo 7 - A descendência do homem, de Charles Darwin (1871)
Capítulo 8 - Além do bem e do mal, de Friedrich Nietzsche (1886)
Capítulo 9 - O Estado e a Revolução, de Vladimir Lênin (1917)
Capítulo 10 - O eixo da civilização, de Margaret Sanger (1922)
Capítulo 11 - Minha luta, de Adolf Hitler (1925)
Capítulo 12 - O futuro de uma ilusão, de Sigmund Freud (1927)
Capítulo 13 - Adolescência, sexo e cultura em Samoa, de Margaret Mead (1928)
Capítulo 14 - O relatório Kinsey, de Alfred Kinsey (1948)

Os 5 que não ajudaram foram esses:

Capítulo 1 - O Príncipe, de Nicolau Maquiavel (1513)
Capítulo 2 - Discurso sobre o método, de René Descartes (1637)
Capítulo 3 - Leviatã, de Thomas Hobbes (1651)
Capítulo 4 - Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os
homens, de Jean-Jacques Rousseau (1755)

E rola um choramindo com esse aqui que inclusive já até baixei pra ler depois HUAHAUAH

Capítulo 15 - A mística feminina, de Betty Friedan (1963)

Tenho refletido sobre muitas coisas enquanto leio esse livro e talvez até escreva um outro post quando chegar ao fim. Mas até então...é só isso mesmo!

ATENÇÃO!! (UPDATE)

Se já estava rolando um problema de confiança, a onda piorou graças a má fé desse autor que me fez desacreditar toda a sua obra a partir de apenas uma traição.
O autor se propõe a encontrar o "bug" no raciocínio os tais livros apresentam e para isso ele sempre traz trechos originados do livro em questão para comprovar o que ele está dizendo. Nesse caso ele estava falando do livro Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels
(1848) e apresentou o seguinte trecho:
Mas vocês, comunistas, implantariam a comunhão das mulheres”,[ V ] grita em coro toda a burguesia.[...] nada é mais ridículo do que a indignação moralista da nossa burguesia quanto à comunhão das mulheres que, eles dizem, estabelece-se oficial e abertamente pelos comunistas. Os comunistas não precisam implantar a comunhão das mulheres; isso existe praticamente desde sempre. Nossos burgueses, não contentes em terem as mulheres e filhas dos proletariados à sua disposição – sem falar nas prostitutas nominais –, têm maior prazer ainda em seduzir as esposas uns dos outros. O casamento burguês é na verdade um sistema de esposas em comum e, portanto, no que os comunistas podem ser repreendidos é, no máximo, por quererem introduzir uma comunhão aberta e legalizada das mulheres, ao invés de uma que é escondida hipocritamente das mulheres; isso existe praticamente desde sempre. Nossos burgueses, não contentes em terem as mulheres e filhas dos proletariados à sua disposição – sem falar nas prostitutas nominais –, têm maior prazer ainda em seduzir as esposas uns dos outros. O casamento burguês é na verdade um sistema de esposas em comum e, portanto, no que os comunistas podem ser repreendidos é, no máximo, por quererem introduzir uma comunhão aberta e legalizada das mulheres, ao invés de uma que é escondida hipocritamente.

Com isso, em que você acredita? Fiquei simplesmente chocada, por isso fui diretamente ao livro fonte e na verdade o que tem dentro dessa maliciosa reticências é isso aqui:

Para o burguês sua mulher nada mais é que um instrumento de produção. Ouvindo dizer que os instrumentos de produção serão explorados em comum, conclui naturalmente que haverá comunidade de mulheres. Não imagina que se trata precisamente de arrancar a mulher do seu papel atual de simples instrumento de produção. 

Espertamente o autor suprimiu um parágrafo e assim descontextualizou todo um pensamento, que de tornar a mulher um bem público, passou a ser uma passagem que pode ser até considerada feminista.
Não quero com isso qualificar ou não movimento algum, mas sim mostrar o quão desonesto esse autor foi nesse momento e provavelmente em muito outros, mas deixo claro que não prossegui com a investigação ou com a leitura.

Fiquem de olho!

"Nosce te ipsum"

 Livros ► Indicações ► Vontades
Andando pelas ruas de Milão, olhando as vitrinas, ela percebeu uma mulher simpática, razoavelmente bem vestida, vindo em sua direção. Sorrindo , elas se olharam...
A seguir, cumprimentaram-se com o mesmo gesto. As duas foram se aproximando até que ela bateu com a cabeça no vidro da loja. A mulher para quem vinha fazendo sinais era ela própria . Sabia tão pouco de si mesma que nem se quer reconheceu sua figura refletida na vitrina da grande cidade.
O caso é mais comum que se imagina. Temos uma noção vaga do que somos, de como é noção verdadeira aparência. E, sem esse conhecimento, é impossível ter estilo próprio. (pag.23- Chic)


Bem, mais uma vez eu estava lendo um dos meus amados livros dos quais ainda nem cheguei perto do meio, mas que fico feliz em ter tido a sorte + condições de compra-los em preços razoáveis.
Enfim, como sempre...compartilho aqui as coisas que mais me marcam, sendo assim esse texto teria mesmo que ser um post obrigatório.
Espero que lhe faça refletir tanto quanto me fez.
E aí!? Você se conhece?

Cool hunting por Marta Dominguez Riezu

Livros ► Moda ► Indicações
Esse foi o último livro que li e um dos mais novos que adquiri.
Me sinto praticamente obrigada a postar  sobre ele aqui. Ele conspirou para a minha evolução com as buscas sobre moda pela internet apontando me farias possíveis "trilhas" as quais seguir ou ter como inspiração para algo maior, e me mostrou como prestar atenção nos detalhes ao seu próprio modo é importante.Ok, não quero  dizer que não sabia que um designer ou um profissional de moda tem que ser atento ao que existe a sua volta. Mas além disso ela mostra que não temos que ser cool pra fazer coisas legais, não temos que pousar de "os bons", ir para nigth e beber muito pra sermos hype e fazer coisas que se tornem requisitadas.
Se não me fiz clara, o que eu quero dizer é que não precisamos sermos caricatos  para mostrar que realmente temos talento ou somos pessoas de visão. Se fazer respeitado é mais uma questão de tato, estudo e saber se colocar.
Enfim, pode não ser a parte mais bacana do livro, e não é. Mas a escolhi pelo fato de ser a que mais se encaixou na minha fatídica realidade e me tocou de uma forma constrangedora =/

É evidente que não adianta nada entrar em contato com muitas pessoas desconhecidas por meio da internet se jamais  se chega a conhece-las em pessoa, a ouvir a sua voz e seus titubeios, suas brincadeiras e o modo de caminhar. De outra forma, tristemente, não são mais que informações binárias, ainda que tenhamos visto pela webcam ou as escutado pelo skype.

Creio que não precise nem dizer que eu super indico ?

Reflita

"Se quer saber nunca é tarde demais (ou no meu caso, cedo demais) pra ser quem você quiser ser. Não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar, ou ficar como está. Não há regras pra esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que encare de forma positiva. Espero que veja coisas que surpreendam você. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com pontos de vista diferentes. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se você descobrir que não tem, espero que tenha forças pra conseguir começar novamente."

O retrato de Dorian Gray

Livros ► Favoritos ► Vicios 

Escrito por Oscar Wilde em torno de 1890, este é um livro de temática eternamente contemporânea em seja qual for a época em que seja lido. Profundo, perturbador e sob tudo intrigante. Wilde conta a história de um rapaz chamado Dorian Gray, que teve a sorte e ao mesmo tempo o azar de ser estonteantemente belo.
Ingenuidade, doçura e solidariedade eram qualidades comuns a Dorian quando foi retratado por Brasil Hallward. Um notável pintor que mantinha uma inexplicável admiração pela aparência e personalidade do rapaz, a admiração era tanta que Dorian se tornou inspiração para a concepção de novos trabalhos e de uma nova forma de pintar. As qualidades da linda personalidade do rapaz no decorrer do livro vão sendo ceifadas diante da má influência e corrupção servida por Lord Henry Wotton que com o simples poder da sugestão e da sua dialética formidável consegue inebriar até mesmo a cabeça do leitor.
Brasil pintou um lindo quadro de corpo inteiro do Dorian, o melhor da sua carreira. Mas devido a um acontecimento misterioso a beleza e o rosto de menino pertencente a Dorian se tornaram inabaláveis pelo tempo. No entanto, o rosto de anjo, passou a esconder um coração perverso e uma mente confusa.
Esse é um dos melhores livros que já li e o indico a quem quiser. No entanto, foram lançados alguns filmes baseados nesta obra que pouco honram de fato a hitória, especialmente um  de nome Dorian Gray  lancaçdo em 2009 que distorceu toda a narrativa, tendo somente alguns momentos isolados de valia e um cenário incrivel.
Aconselho que leia ao livro primeiro e depois assistam ao filme.

O diário Zlata

Resumo ► Livros ► Indicações ► Zlata 
Zlata é uma criança da guerra. Tinha somente 12 anos em 1992 , quando os bombardeios referentes guerra da Bósnia finalmente atingiram a capital Saravejo e destruiu a sua rotina típica de adolescente burguesa dos anos 90 que adorava moda e era viciada em MTV, lhe deu amadurecimento precoce e lhe afastou dos familiares e amigos mais queridos.
Durante os 3 anos nos quais a pequena menina teve que conviver com constantes barulhos de bombardeios e se acostumar com o cheiro de pólvora no ar, ela continuo a escrever em seu diário assim como sempre tivera feito. Este se encarregou de passar ao leitor tudo que ela sentia dando lhe a possibilidade de percorrer junto a ela o caminho da alegria, segurança e estabilidade de uma criança sadia, diretamente para reflexões e indagações de alguém que sofre severas privações e não tem o exato conhecimento dos motivos.
Sobre flores, animais, sentimentos... Tudo era assunto em potencial para ser abordado com a sua querida Mimmy [nome que deu ao seu diário]. Características de um mundo cinzento são descritas pelos olhos de uma criança que após a guerra já não são mais tão puros ou inocentes.Pequenos prazeres ganham valores antes nunca dados e quando mais parece que a humanidade se distância dos devidos sentimentos e da compaixão com o próximo. As pessoas se unem diante das dificuldades e descobre em desconhecidos uma família em potencial. 
 A Anne Frank de Saravejo era como a Zlata passou a ser chamada depois da primeira divulgação de seu diário, isso lhe provocava medo e esperança. Medo de acabar tendo o mesmo fim que a escritora Alemã e esperança de que mais nenhuma criança fosse obrigada a lidar com tais situações.
"A capacidade de adaptação das crianças à realidade da guerra é ao mesmo tempo admirável e chocante. Provoca simultaneamente risos e lágrimas ver meninos e meninas com expressões que só podem ser entendidas como resignação e aposta no futuro — enquanto o espectador adulto se consome de pavor, pânico, excitação, admiração ou outros sentimentos cheios de adrenalina.
Tiroteios e explosões eram os responsáveis pelo dia a dia dessa garota que com o tempo se acostumou com as balas ricocheteando nas paredes de sua sala. O frio do porão era a sua segurança e o calor que a madeira queimada dos seus móveis trazia era seu alento.
Resumindo...um ótimo livro pra se ganhar uma nova perspectiva sobre o que se tem.